Jorge amado nasceu em 10 de agosto de 1912 em Itabuna. Porem, foi muito jovem para Ssa, e lá foi onde ele pôde perceber o que acontecia naquela época. Injustiças e preconceitos que o povo sofria naquela época fez com que Amado gostasse ainda mais de escrever, e foi lá que ele começou a retratar o que acontecia naquela época.
As obras de Jorge amado eram baseadas no realismo crítico, na cultura nordestina (e principalmente na baiana), na literatura de cordel e na denúncia. Em seus primeiros livros, ele procurou mostrar o drama vivido pelos negros e mestiços, alem da injustiça social vivida naquela época. Seus primeiros livros foram: O país do carnaval, Mar Morto, Capitães de areia, Seara vermelha, etc.
Em 1945, Jorge foi eleito deputado federal no PCB, mas, com o mandato cassado, ficou durante 5 anos na Europa e na Ásia. Nessa fase do autor, escreveu livros com uma denuncia social maior do que nos seus primeiros livros como Tenda dos Milagres, Tieta do agreste, O sumiço da Santa, etc.
No final de sua vida e carreira, escreveu mais livros baseados em seu engajamento político como o cavaleiro da esperança, e em biografias, como Biografia renomeada de Luís Carlos Prestes, e o ABC de Castro Alves.
Seus livros foram publicados em 52 países e ele é considerado o artista brasileiro que mais vendeu em todo mundo. Também, recebeu vários prêmios, como Prêmio Lênin da Paz, Prêmio de Latinidade (ambos fora do País), alem do prêmio Nacional de Romance do Instituto Nacional do Livro e Prêmio Graça Aranha (esses no Brasil). Ocupou a cadeira de numero 23 na academia brasileira de letras, e faleceu em 6 de agosto de 2001, em Ssa.
sábado, 24 de abril de 2010
Jorge Amado em tenda dos milagres e em outras de suas obras há a proposta de criação de uma nova identidade nacional substituindo a que anteriormente foi construída por outros autores e por principalmente José de Alencar a qual tinha como centro dela o índio. Pondo agora o mestiço como centro da identidade nacional visto que antes ele assumia uma posição periférica.
O “projeto” de Jorge mostra-se como uma tentativa de mudar o paradigma eurocentrista e também uma valorização do “saber não formal” e cientifico para explicar e entender a sociedade a suas mudanças e principalmente a sua formação. Ilustrando isto temos o conflito entre Argolo e Pedro Arcanjo.
Na obra Tenda dos Milagres o autor vê a miscigenação ou pelo menos tenta mostra – lá de maneira positiva e enaltecedora. Há inúmeras passagens da obra em que ele expõe de maneira clara a sua concepção de enaltecimento da miscigenação colocando-a como a mais bela das raças por ser a mistura de todas. Identificar alguém que não tenha origem de raças (etnias) diferentes é quase impossível, pois a mistura tanto biológica, cultural e de valores faz parte da própria essência do pais o Mestiço o qual é visto como participante de uma nova raça sendo ela a mais bela e formosa de todas.
“Tenta o velho prosseguir sua subida, remoendo as palavras
do ferreiro, “há de nascer, de crescer e de se misturar...”
Quanto mais misturado, melhor”[..]
O “projeto” de Jorge mostra-se como uma tentativa de mudar o paradigma eurocentrista e também uma valorização do “saber não formal” e cientifico para explicar e entender a sociedade a suas mudanças e principalmente a sua formação. Ilustrando isto temos o conflito entre Argolo e Pedro Arcanjo.
Na obra Tenda dos Milagres o autor vê a miscigenação ou pelo menos tenta mostra – lá de maneira positiva e enaltecedora. Há inúmeras passagens da obra em que ele expõe de maneira clara a sua concepção de enaltecimento da miscigenação colocando-a como a mais bela das raças por ser a mistura de todas. Identificar alguém que não tenha origem de raças (etnias) diferentes é quase impossível, pois a mistura tanto biológica, cultural e de valores faz parte da própria essência do pais o Mestiço o qual é visto como participante de uma nova raça sendo ela a mais bela e formosa de todas.
“Tenta o velho prosseguir sua subida, remoendo as palavras
do ferreiro, “há de nascer, de crescer e de se misturar...”
Quanto mais misturado, melhor”[..]
QUESTIONÁRIO
1) Como se revela a miscigenação Brasileira segundo Sergio Danilo ?
2) Para Jorge Amado qual a explicação ou solução para os problemas raciais no Brasil?
3) Em que é pautado os discursos amadiano?
4) Para Darcy Ribeiro o que seria dizer que o Brasil é um “empíreo racial” ?
5) Com base nos textos e com o conhecimento adquirido em sala de aula explique o que significa dizer que o Brasil é um país Miscigenado? ( Resposta Pessoal)
1) Como se revela a miscigenação Brasileira segundo Sergio Danilo ?
2) Para Jorge Amado qual a explicação ou solução para os problemas raciais no Brasil?
3) Em que é pautado os discursos amadiano?
4) Para Darcy Ribeiro o que seria dizer que o Brasil é um “empíreo racial” ?
5) Com base nos textos e com o conhecimento adquirido em sala de aula explique o que significa dizer que o Brasil é um país Miscigenado? ( Resposta Pessoal)
quarta-feira, 21 de abril de 2010
"Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si... Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros..."
Meu livro mostra por que caminhos e como nós viemos, criando aquilo que eu chamo de Nova Roma. Roma com boa justificação... Roma por quê? A grande presença no futuro da romanidade, dos neolatinos é a nossa presença. Isso é o Brasil, uma Roma melhor porque mestiça, lavada em sangue negro, em sangue índio, sofrida e tropical. Com as vantagens imensas de um mundo enorme que não tem inverno e onde tudo é verde e lindo, e a vida é muito mais bela... E é uma gente que acompanha esse ambiente com uma alegria de viver que não se vê em outra parte. Esse país tropical, mestiço, orgulhoso de sua mestiçagem... Isso é que me levou muito tempo. Entender como isso se fez... Havia muita bibliografia sobre aspectos particulares, mas não uma visão de conjunto. Deixa eu contar pra vocês como é que isso se fez?
No Brasil a mestiçagem sempre se fez com muita alegria, e se fez desde o primeiro dia... Eu prometi contar como. Imagine a seguinte situação: uns mil índios colocados na praia e chamando outros: "venham ver, venham ver, tem um trem nunca visto"... E achavam que viam barcas de Deus, aqueles navios enormes com as velas enfurnadas... "O que é aquilo que vem?" Eles olhavam, encantados com aqueles barcos de Deus, do Deus Maíra chegando pelo mar grosso. Quando chegaram mais perto, se horrorizaram. Deus mandou pra cá seus demônios, só pode ser. Que gente! Que coisa feia! Porque nunca tinham visto gente barbada – os portugueses todos barbados, todos feridentos de escorbuto, fétidos, meses sem banho no mar... Mas os portugueses e outros europeus feiosos assim traziam uma coisa encantadora: traziam faquinhas, facões, machados, espelhos, miçangas, mas sobretudo ferramentas. Para o índio passou a ser indispensável ter uma ferramenta. Se uma tribo tinha uma ferramenta, a tribo do lado fazia uma guerra pra tomá-la.
Onde tinha algum europeu instalado na costa em contato com as naus, e portanto capaz de fornecer mercadoria, cada aldeia, e eram milhares de aldeias, levava uma moça pra casar com ele. Se ele transasse com a moça, então ele se tornava cunhado. Ele passou a ter sogro, sogra, genros... ele passou a ser parente. Então o sabido do português, do europeu, conseguia desse modo pôr milhares de índios a serviço dele, pra derrubar pau-brasil...
No ventre das mulheres indígenas começavam a surgir seres que não eram indígenas, meninas prenhadas pelos homens brancos – e meninos que sabiam que não eram índios... que não eram europeus. O europeu não aceitava como igual. O que era ? Era uma gente "ninguém ", era uma gente vazia. O que significavam eles do ponto de vista étnico ? Eles seriam a matéria com a qual se faria no futuro os brasileiros...
Esses filhos das índias aprendem o nome das árvores, o nome dos bichos, dão nome a cada rio... Eles aprenderam, dominaram parcialmente uma sabedoria copiosa, que os índios tinham composto em dez mil anos. Em dez mil anos os índios aprenderam a viver na floresta tropical, identificaram 64 tipos de árvores frutíferas, domesticaram muitas plantas, essas que a gente usa: mandioca, milho, amendoim.... quarenta e tantas que nós demos ao mundo...
Há duas contribuições fundamentais nesse encontro: uma mestiçagem do corpo e uma mestiçagem da cultura. Em nós vivem milhões de índios, índios que foram esmagados porque a brutalidade do branco com o índio foi terrível. Esmagados porque o europeu tinha muita doença. Os índios não tinham cárie dentária, nem gripe, nem tuberculose... Cada enfermidade dessas era uma espécie de guerra biológica, matou índios em quantidade...
Mas esses índios que morriam sobreviviam naqueles mestiços que nasciam. Somos nós que carregamos no peito esses índios, os genes deles para reprodução e a sabedoria deles da mata. O Brasil só é explicável assim, é uma coisa diferente do mundo...
O povo brasileiro – Darcy Ribeiro
domingo, 18 de abril de 2010
Histórico - Tenda dos Milagres
Publicado em outubro de 1969, Tenda dos Milagres foi escrito por Jorge Amado entre março e julho do mesmo ano. Livro predileto do autor, retoma temas que já se anunciavam em outras obras, especialmente em Jubiabá, romance protagonizado por Antônio Balduíno, líder negro de origem pobre, assim como Pedro Archanjo, personagem principal de Tenda dos Milagres.
A trajetória do intelectual negro Pedro Archanjo personifica a formação étnica e cultural brasileira e se confunde com a luta do povo baiano para preservar suas tradições populares. Archanjo defende a miscigenação, combate o racismo e valoriza o caráter mestiço de sua cultura. Essa mescla aparece também na linguagem do romance, que incorpora termos e ritmos afro-brasileiros.
Jorge Amado conta em seu livro de memórias Navegação de cabotagem que construiu o personagem Pedro Archanjo a partir de muitas personalidades, como o escritor Manuel Quirino, o obá Miguel Aré, o compositor Dorival Caymmi e Jorge Amado ele próprio. “De todos eles Archanjo incorpora um traço, uma singularidade, a preferência, o tom de voz, o gosto da comida, o trato das mulheres, a malícia”, diz o escritor.
Para a antropóloga Ilana Seltzer Goldstein, Tenda dos Milagres pode ser considerado um livro paradigmático de Jorge Amado, por concentrar alguns dos temas mais importantes da literatura do autor, como a oposição entre mestiçagem e racismo, cultura erudita e popular, atuação política e crônica de costumes. O livro foi o primeiro romance de Jorge Amado traduzido pela francesa Alice Raillard, que traduziria outros dez volumes do autor e escreveria Conversando com Jorge Amado, baseado em uma série de entrevistas que fez com o escritor. O texto foi traduzido também para mais de dez línguas.
Nelson Pereira dos Santos iniciou o trabalho de adaptação de Tenda dos Milagres para o cinema em 1974, a partir de uma edição clandestina do romance, vendida em bancas de jornal. O equívoco foi descoberto graças ao acompanhamento que Jorge Amado fez do roteiro. O filme estreou em 1977. Em 1985, Tenda dos Milagres virou minissérie da Rede Globo, em adaptação de Aguinaldo Silva e Regina Braga.
A trajetória do intelectual negro Pedro Archanjo personifica a formação étnica e cultural brasileira e se confunde com a luta do povo baiano para preservar suas tradições populares. Archanjo defende a miscigenação, combate o racismo e valoriza o caráter mestiço de sua cultura. Essa mescla aparece também na linguagem do romance, que incorpora termos e ritmos afro-brasileiros.
Jorge Amado conta em seu livro de memórias Navegação de cabotagem que construiu o personagem Pedro Archanjo a partir de muitas personalidades, como o escritor Manuel Quirino, o obá Miguel Aré, o compositor Dorival Caymmi e Jorge Amado ele próprio. “De todos eles Archanjo incorpora um traço, uma singularidade, a preferência, o tom de voz, o gosto da comida, o trato das mulheres, a malícia”, diz o escritor.
Para a antropóloga Ilana Seltzer Goldstein, Tenda dos Milagres pode ser considerado um livro paradigmático de Jorge Amado, por concentrar alguns dos temas mais importantes da literatura do autor, como a oposição entre mestiçagem e racismo, cultura erudita e popular, atuação política e crônica de costumes. O livro foi o primeiro romance de Jorge Amado traduzido pela francesa Alice Raillard, que traduziria outros dez volumes do autor e escreveria Conversando com Jorge Amado, baseado em uma série de entrevistas que fez com o escritor. O texto foi traduzido também para mais de dez línguas.
Nelson Pereira dos Santos iniciou o trabalho de adaptação de Tenda dos Milagres para o cinema em 1974, a partir de uma edição clandestina do romance, vendida em bancas de jornal. O equívoco foi descoberto graças ao acompanhamento que Jorge Amado fez do roteiro. O filme estreou em 1977. Em 1985, Tenda dos Milagres virou minissérie da Rede Globo, em adaptação de Aguinaldo Silva e Regina Braga.
Tenda dos Milagres
Romance, 2008 | Posfácio de João José Reis
Romance, 2008 | Posfácio de João José Reis
É 1968, e a chegada a Salvador do prêmio Nobel James Levenson provoca alvoroço na imprensa local. O professor americano vem em busca de quatro livros que documentam a formação do povo baiano, de autoria de um certo Pedro Archanjo. Voltamos então ao começo do século XX, época em que se passaram as proezas do pobre, pardo, boêmio e mulherengo Archanjo.
Na juventude, Archanjo conheceu Lídio Corró, um “riscador de milagres”, que virou parceiro na luta contra o preconceito racial e religioso. A Tenda dos Milagres, no Pelourinho, lugar onde os amigos trabalhavam, era também palco de candomblé e capoeira de Angola. E os folhetos de literatura popular e os livros de Archanjo impressos na tipografia da Tenda transformaram-na em uma espécie de universidade livre da cultura popular.
Bedel da Faculdade de Medicina da Bahia, Archanjo inspirou-se no convívio com os catedráticos da instituição e passou a estudar a história do povo baiano. Mas suas teorias, que valorizavam a miscigenação, despertam o ódio do professor Nilo Argolo, para quem os mestiços eram “degenerados”.
Em Tenda dos Milagres, Jorge Amado opõe as idéias de Archanjo às de Argolo para enaltecer a mestiçagem, a tradição popular e a cultura negra. O romance critica a postura colonizada de aceitação de teorias racistas originárias da Europa no início do século XX e ironiza a valorização tardia da obra do intelectual negro, reconhecida à revelia da elite local graças à iniciativa de um estrangeiro.
A narrativa entrelaça com extrema habilidade os registros erudito e popular. As críticas à repressão contra o candomblé e outras manifestações da cultura negra ganham relevo em dois momentos históricos: o começo do século XX, quando da atuação de Pedro Archanjo, e a época em que o livro foi publicado, em plena ditadura militar.
http://www.jorgeamado.com.br/obra.php3?codigo=12589
Na juventude, Archanjo conheceu Lídio Corró, um “riscador de milagres”, que virou parceiro na luta contra o preconceito racial e religioso. A Tenda dos Milagres, no Pelourinho, lugar onde os amigos trabalhavam, era também palco de candomblé e capoeira de Angola. E os folhetos de literatura popular e os livros de Archanjo impressos na tipografia da Tenda transformaram-na em uma espécie de universidade livre da cultura popular.
Bedel da Faculdade de Medicina da Bahia, Archanjo inspirou-se no convívio com os catedráticos da instituição e passou a estudar a história do povo baiano. Mas suas teorias, que valorizavam a miscigenação, despertam o ódio do professor Nilo Argolo, para quem os mestiços eram “degenerados”.
Em Tenda dos Milagres, Jorge Amado opõe as idéias de Archanjo às de Argolo para enaltecer a mestiçagem, a tradição popular e a cultura negra. O romance critica a postura colonizada de aceitação de teorias racistas originárias da Europa no início do século XX e ironiza a valorização tardia da obra do intelectual negro, reconhecida à revelia da elite local graças à iniciativa de um estrangeiro.
A narrativa entrelaça com extrema habilidade os registros erudito e popular. As críticas à repressão contra o candomblé e outras manifestações da cultura negra ganham relevo em dois momentos históricos: o começo do século XX, quando da atuação de Pedro Archanjo, e a época em que o livro foi publicado, em plena ditadura militar.
http://www.jorgeamado.com.br/obra.php3?codigo=12589
Melhor dar a palavra a quem veio de fora atraído pelo Brasil de Amado. Horas após seu falecimento, alguém que se identificou como "um italiano em São Paulo", enviou a um jornal paulista a carta que ora reproduzo:
"Hoje estou triste. A parte brasileira de minha alma está em pena, pois morreu `Ele', o escritor que, muito antes de eu vir para cá, me contou do `Brasile': da sua beleza, da sua tristeza, da sua mestiçagem, dos seus orixás, de Oxum e de Ylê Aiyê, de ladeiras e de putas, de carne e de mistérios divinos, de jangadas e de saveiros.
Os livros que eu lia, cheiravam a acarajé, que eu nunca havia visto.
Devo muito a ele, que, para mim, é uma maravilhosa síntese de terreiros, de mulatas, de batuques, de vatapá, de senzalas, de mar e de amor. Sem ele não me haveria apaixonado tanto pelo Brasil, por JoãoMariaCaetanoGilbertoGal, não teria estudado português, não estaria morando neste país, entusiasmando-me com as coisas boas, zangando-me com as ruins."
"Hoje estou triste. A parte brasileira de minha alma está em pena, pois morreu `Ele', o escritor que, muito antes de eu vir para cá, me contou do `Brasile': da sua beleza, da sua tristeza, da sua mestiçagem, dos seus orixás, de Oxum e de Ylê Aiyê, de ladeiras e de putas, de carne e de mistérios divinos, de jangadas e de saveiros.
Os livros que eu lia, cheiravam a acarajé, que eu nunca havia visto.
Devo muito a ele, que, para mim, é uma maravilhosa síntese de terreiros, de mulatas, de batuques, de vatapá, de senzalas, de mar e de amor. Sem ele não me haveria apaixonado tanto pelo Brasil, por JoãoMariaCaetanoGilbertoGal, não teria estudado português, não estaria morando neste país, entusiasmando-me com as coisas boas, zangando-me com as ruins."
O que significa dizer que o Brasil é um país miscigenado?
Analisar a idéia de miscigenação no contexto brasileiro nos leva a várias vertentes: se trata apenas de uma mistura de raças ou de culturas?
Segundo Sergio Danilo Pena, professor titular de bioquímica da UFMG, que realizou um estudo acerca da miscigenação no Brasil, a miscigenação brasileira não se revela simplesmente como uma mistura que se limita apenas na exterioridade da aparência física, como a cor da pele ou o tipo de cabelo, ela se revela como uma mistura ainda maior, de culturas. Não existindo assim no Brasil pessoas da cor branca sem que possua os genes do povo africano, nem negros puros, sem os genes europeus.
Do ponto de vista do escritor baiano Jorge Amado, em sua obra Tenda dos Milagres, na qual há um enaltecimento da miscigenação brasileira, tomando como palco principal a Bahia, devido à pluralidade de raças e culturas vivente neste local, levando em consideração que a Bahia é o berço da miscigenação brasileira. Através do personagem principal dessa obra, Pedro Archanjo que vivenciou a época marcada pela abolição da escravatura, onde negros e mestiços embora tivessem conquistado gradualmente a sua liberdade, ainda eram perseguidos por tentarem viver suas tradições, Amado revela que a solução para os problemas raciais no Brasil se descobre na própria miscigenação, na mistura, na fusão, pois mediante ela não haveria a supremacia de uma raça sobre outra e é desta forma que Jorge Amado procura também denunciar as desigualdades sociais. E ainda é este mesmo personagem que faz um estudo das elites locais para evidenciar a união entre raças, contrapondo-se à prática de segregações existentes.
O discurso amadiano é pautado na realidade racial da nação brasileira, que possui como importância fundamental a mestiçagem, retratando assim a identidade nacional como um agrupamento de múltiplas culturas, “desconstruindo” o legado colonial europeu e fortalecendo a auto-estima da raça mestiça, a saber, o povo brasileiro, representado pelo povo baiano, já que na ótica amadiana ser baiano é um “estado de espírito” que se amplia em ser mestiço.
Apesar de tal discurso ser um dos iniciantes a se falar nessa mestiçagem, trazendo a valorização da cultura negra como papel importante na composição da cultura brasileira em si, já que sem a tal o Brasil não seria este no qual convivemos. O que se vivencia de fato, ainda é a sobreposição de uma raça sobre outra, ocorrendo a não-aceitação dessa idéia de miscigenação.
Segundo Darcy Ribeiro, defensor da democracia brasileira racial, as características dos colonizadores e a permeabilidade cultural fizeram do Brasil um “empíreo racial” onde todos trazem um pouco dos três grupos basais da formação do povo brasileiro: o índio, o branco e o negro.
Partindo desse pressuposto, o que significa de fato afirmar que o Brasil é um país miscigenado? Significa dizer que o Brasil é uma nação construída historicamente pela variabilidade de raças, de culturas, de crenças, mesmo que ainda exista a negação dessa identidade.
Antonio Nóbrega - Mestiçagem
Uma negra com um branco
Vi casar na camarinha,
Um branco com uma índia
Vi casar lá na matinha,
Um negro com uma índia
Vi casar na capelinha.
Um negro com uma negra
Vi casar atrás do muro,
Um branco com uma branca
Vi casar lá no escuro,
Um índio com uma índia
Casaram em porto seguro.
Eu vi nascer um mulato
Do casal da camarinha,
Vi nascer um memeluco
Do casal lá da matinha,
Eu vi nascer um cafuso
Do casal da capelinha.
Eu vi nascer um crioulo
Do casal de atrás do muro,
Eu vi nascer um mazombo
Do casal lá do escuro,
Eu vi nascer outro índio
Do casal porto seguro.
Uma mulata moleca
Vi casar com um japonês,
Uma catita cafuza
Com um sírio-libanês,
Crioulo com alemoa
Vejo casar todo mês.
Me casei com uma mestiça
Eu mestiço por inteiro,
Tivemos muitos mestiços
Cada vez mais verdadeiros,
Cada vez mais misturados,
Cada vez mais brasileiros.
Uma negra com um branco
Vi casar na camarinha,
Um branco com uma índia
Vi casar lá na matinha,
Um negro com uma índia
Vi casar na capelinha.
Um negro com uma negra
Vi casar atrás do muro,
Um branco com uma branca
Vi casar lá no escuro,
Um índio com uma índia
Casaram em porto seguro.
Eu vi nascer um mulato
Do casal da camarinha,
Vi nascer um memeluco
Do casal lá da matinha,
Eu vi nascer um cafuso
Do casal da capelinha.
Eu vi nascer um crioulo
Do casal de atrás do muro,
Eu vi nascer um mazombo
Do casal lá do escuro,
Eu vi nascer outro índio
Do casal porto seguro.
Uma mulata moleca
Vi casar com um japonês,
Uma catita cafuza
Com um sírio-libanês,
Crioulo com alemoa
Vejo casar todo mês.
Me casei com uma mestiça
Eu mestiço por inteiro,
Tivemos muitos mestiços
Cada vez mais verdadeiros,
Cada vez mais misturados,
Cada vez mais brasileiros.
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